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Cafeteria deve ressarcir por fraude em medidor de energia

Decisão determinou o pagamento do consumo energético não faturado

A 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) confirmou que uma cafeteria localizada em Belo Horizonte deve pagar valor correspondente a consumo de energia não faturado, por fraude em medidor, entre abril de 2020 e fevereiro de 2021. A decisão mantém cobrança da Cemig no valor de R$ 23,9 mil.

Os desembargadores reconheceram a legalidade do procedimento administrativo conduzido pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que constatou adulteração no medidor de consumo do estabelecimento.

Medidor de energia

Segundo o processo, durante uma inspeção de rotina realizada por agentes da Cemig em fevereiro de 2021, foi identificado desvio de energia no ramal de entrada da cafeteria. O medidor foi substituído e encaminhado para avaliação em laboratório credenciado.

O laudo revelou que o equipamento apresentava perfurações e fiação cortada, com o circuito de amostragem de corrente interrompido. A perícia apontou “evidências de manipulação nos componentes internos do medidor de energia”, impedindo o registro correto do consumo. Após a troca do medidor, de acordo com a concessionária, o consumo do estabelecimento mostrou-se significativamente superior, ainda durante a pandemia, reforçando a tese de que o equipamento adulterado deixava de registrar parte da energia consumida.

Por isso, a companhia cobrou os valores não faturados. O cliente entrou com ação questionando a cobrança e negando irregularidades, mas a 5ª Vara da Fazenda Pública Estadual e Autarquias de BH rejeitou os argumentos e determinou o pagamento de R$ 23.948,47 pelo consumo não faturado. O valor foi mantido em 2ª Instância.

Ao recorrer, o estabelecimento alegou que, por atuar no ramo de eventos, teve as atividades interrompidas durante a pandemia de covid-19. Argumentou ainda que o laudo não demonstrou fraude, especialmente diante da integridade dos lacres.

Adulteração

O relator do caso, desembargador Maurício Soares, sustentou que, conforme a Resolução nº 414/2010, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), é do consumidor a responsabilidade pela custódia dos equipamentos de medição instalados no interior de sua propriedade.

“Verificada a existência de adulteração da medição, bem como o faturamento a menor da energia elétrica consumida, a responsabilidade é do consumidor, salvo prova em contrário, sendo desnecessário que a empresa fornecedora identifique o autor da violação ocorrida”, fundamentou o magistrado.

O relator também ressaltou que a concessionária cumpriu os procedimentos legais, garantindo ao cliente o direito ao contraditório e à ampla defesa. No ato da inspeção, um termo de ocorrência foi entregue com a devida orientação para requerer perícia e questionar o débito, direito que não foi exercido pela cafeteria.

Por: Diretoria de Comunicação Institucional – Tribunal de Justiça de Minas Gerais

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